Durante boa parte da minha vida, eu precisei aprender a conviver com aquilo que acontecia dentro de mim. Desde a adolescência, convivo com níveis altos de estresse e ansiedade e, por muito tempo, não compreendia muito bem de onde vinham algumas das minhas dificuldades. Na infância, também tive TDAH, mas cresci em uma época em que minha família não tinha conhecimento suficiente sobre o transtorno para compreender o que estava acontecendo. Só muitos anos depois, já adulto, descobri o diagnóstico e comecei o tratamento. Foi uma experiência frustrante olhar para algumas situações da minha própria história e perceber que muitas coisas poderiam ter sido compreendidas de outra maneira.
Aos 19 anos, enquanto cursava Psicologia, aconteceu uma mudança ainda mais profunda na minha vida: eu me converti ao cristianismo. E, junto com a fé, veio uma pergunta que me acompanharia durante muitos anos: como a Psicologia e as Escrituras Sagradas podem conversar entre si?
Essa pergunta não surgiu apenas dentro da universidade. Em alguns momentos, ouvi do próprio púlpito que um cristão não deveria procurar um psicólogo, mas simplesmente orar. Para mim, aquilo produziu um conflito real. Eu estava estudando uma profissão que buscava compreender o sofrimento humano e, ao mesmo tempo, aprendendo uma fé que me ensinava a levar todas as áreas da vida a Deus. Eu precisava descobrir se realmente existia uma escolha a ser feita entre uma coisa e outra.
Foi então que comecei a estudar mais profundamente e a procurar profissionais que também fossem cristãos. Encontrei alguns psicólogos evangélicos, conheci diferentes perspectivas e fui amadurecendo uma convicção que hoje está no centro da minha forma de trabalhar: minha fé não precisa ser deixada do lado de fora do consultório para que eu possa exercer a Psicologia com seriedade.
Minha formação e minha prática caminham principalmente pela Terapia Cognitivo-Comportamental. Uma das ideias que considero fundamentais nessa abordagem é a compreensão de que grande parte do sofrimento humano está relacionada à maneira como interpretamos os acontecimentos. O fato acontece, mas a forma como o compreendemos pode aumentar, diminuir ou até transformar completamente aquilo que sentimos e a maneira como reagimos.
Essa compreensão também mudou a forma como passei a olhar para a minha própria história. Ao longo dos anos, percebi quantas vezes interpretamos nossas dificuldades a partir de explicações que parecem óbvias, mas que nem sempre correspondem à realidade. Uma pessoa pode passar anos acreditando que é preguiçosa, fraca, desorganizada, incapaz ou sem disciplina, quando existe uma história por trás daquele comportamento que ainda não foi compreendida.
É nesse lugar que encontro muito sentido no meu trabalho. Tenho interesse pelo que existe por trás do comportamento, pelas interpretações que sustentam determinadas escolhas, pelos padrões que se repetem e pelas histórias que cada pessoa aprendeu a contar sobre si mesma.
Ao mesmo tempo, acredito que o ser humano não pode ser reduzido aos seus pensamentos, comportamentos ou diagnósticos. Somos pessoas com histórias, vínculos, responsabilidades, valores, perguntas e também uma dimensão espiritual que, para mim, é inseparável da existência humana.
Minha própria trajetória me ensinou a olhar para essas dimensões com mais cuidado. Eu sei o que significa passar anos tentando entender algo que você ainda não sabe nomear. Sei também o que significa estudar Psicologia e, ao mesmo tempo, tentar compreender como a fé cristã participa dessa conversa.
É a partir dessa história que construo minha prática. Quero oferecer um espaço em que a pessoa possa compreender melhor o que está vivendo, questionar interpretações que talvez tenham se tornado automáticas, desenvolver novas formas de lidar com seus problemas e, quando isso fizer parte da sua história e da sua fé, também olhar para essas questões diante de Deus.
No fim das contas, meu trabalho tem muito a ver com compreensão. Com ajudar alguém a olhar para a própria história com mais clareza, entender o que está sustentando seu sofrimento e encontrar caminhos possíveis para viver de uma maneira mais coerente com aquilo que realmente valoriza.
Sou membro recente na Igreja Presbiteriana de Itu/SP. Participei de congressos, palestro em igrejas, empresas e escolas sobre sexualidade, pornografia, identidade, ansiedade, depressão. E ofereço a vocês um conjunto de serviços, desde a psicoterapia à palestras e cursos, pois há necessidades diferentes que precisam ser atendidas de formas e formatos diferentes.
Cesar S. S. Braz,
Psicólogo pela Universidade Metodista de São Paulo (CRP 06/122652); Formação em Terapia Cognitivo-Comportamental pela Bee-ducation e Eurekka. Formação na Escola de Sexualidade do Ministério Ser Mais de 5 mil horas de atendimento clínico Membro da Igreja Presbiteriana de Itu/SP Pós-graduado em Psicologia Junguiana pela Facis/Ijep; Especialista em Tradução/Interpretação em Libras/Português pela Unoeste;
Fundador do Cristão no Divã, consultor e palestrante sobre diversos assuntos relacionados a Clínica, o Surdo e a Libras, à famílias e a empresas.